Prevenção De Acidentes Por Material Perfurocortante

A relação entre doença e trabalho é fato descrito há décadas. Entretanto, a sistematização da etiologia ocupacional surgiu com o questionamento sobre a atividade profissional do paciente na anamnese médica. Durante a evolução da abordagem da relação entre saúde e trabalho, modificou-se paulatinamente a noção de causalidade; até mesmo a relação entre a doença e um risco foi substituída pela compreensão da multiplicidade de causas.

O surgimento da AIDS, no início da década de 80, levou os profissionais da área de saúde a experimentarem intensa preocupação com a possibilidade de adquirirem o vírus HIV, em decorrência de suas atividades profissionais, e esta época foi um marco importante para o estabelecimento e revisão dos conceitos de precauções universais. Em 1991, a Occupational Safety and Administration (OSHA) estabeleceu padrões onde o sangue, derivados e outros materiais foram definidos como potencialmente infecciosos com o objetivo de reduzir os riscos ocupacionais. Esta padronização determina uma combinação desde área de trabalho controlada até boas práticas no trabalho, incluindo equipamento de proteção individual, vacinação contra hepatite B, e treinamentos pela equipe de vigilância com sinais, cartazes e outros recursos para minimizar o risco de transmissão de doenças, devendo cada Instituição, per si, desenvolver um plano próprio de controle de exposição baseado nas normas estabelecidas.

As exposições ocupacionais a materiais biológicos potencialmente contaminados continuam representando um sério risco aos profissionais da área da saúde no seu local de trabalho, e os acidentes envolvendo sangue e outros fluidos orgânicos correspondem às exposições mais frequentemente relatadas. O Laboratório Clínico tem como característica um ambiente de trabalho onde são utilizados materiais clínicos potencialmente infecciosos, incluindo os perfurocortantes, como agulhas, lâminas, pinças, utensílios de vidro, etc, que somam riscos ocupacionais aos já existentes nesse ambiente de trabalho.

O Laboratório Clínico tem como característica um ambiente de trabalho onde são utilizados materiais clínicos potencialmente infecciosos, incluindo os perfurocortantes, como agulhas, lâminas, pinças, utensílios de vidro, etc, que somam riscos ocupacionais aos já existentes nesse ambiente de trabalho.

Os acidentes com agulhas transmitiram muitas doenças envolvendo vírus, bactérias, fungos e outros micro-organismos para os trabalhadores de saúde, pesquisadores de laboratório e os ligados à Veterinária.

Os ferimentos com agulhas e materiais perfurocortantes são considerados, em geral, extremamente perigosos por serem potencialmente capazes de transmitir vários patógenos, sendo os vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), da Hepatite B e da Hepatite C os agentes infecciosos mais comumente envolvidos. Evitar a exposição ocupacional é o principal caminho para prevenir a transmissão dos vírus das Hepatites B e C e o do HIV6.

As doenças infecciosas que podem ter como fonte de infecção o acidente como materiais perfurocortantes, incluem:

  • Blastomicose
  • Brucelose
  • Criptococose
  • Difteria
  • Gonorréia cutânea
  • Herpes
  • Malária
  • Micobacteriose
  • Mycoplasma caviae
  • A febre maculosa
  • Esporotricose
  • Staphylococcus aureus
  • Streptococcus pyogenes
  • Sífilis
  • Toxoplasmose
  • Tuberculose

Muitas destas doenças foram transmitidas em raros eventos isolados. Eles continuam a demonstrar, no entanto, que os ferimentos com seringas podem ter consequências graves.

O grau de risco de contaminação com diferentes agentes infecciosos é variável, considerando-se que a exposição de mucosas íntegras, representa risco médio de 0,1% e quando há exposição da pele íntegra, o risco é inferior a 0,1%. Entretanto os materiais perfurocortantes no ambiente hospitalar ou laboratorial, frequentemente veiculam sangue ou secreções, elevando os riscos ao profissional de saúde, de adquirir uma doença infecciosa, especialmente os vírus HIV e da hepatite. Einstein e Smith reportaram que 50% dos acidentes com materiais perfurocortantes aconteceram pelo fato desses objetos estarem em local impróprio para descarte, sem segurança. Portanto, é fundamental a adesão dos profissionais às normas de precauções.

Condutas primárias foram desenvolvidas para reduzir o risco de profissionais de saúde sofrerem acidentes com materiais perfurocortantes. A primeira é o cumprimento das normas estabelecidas pelos órgãos competentes, incluindo a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI), medidas de manuseio e descarte apropriado dos materiais. A segunda é prover os profissionais de conhecimento e materiais que ofereçam maior segurança durante seu manuseio e descarte.

Desde a publicação dos padrões estabelecidos, uma grande variedade de dispositivos médicos tem sido desenvolvida para reduzir os riscos com acidentes com dispositivos perfurocortantes. O uso de dispositivos inovadores para agulhas ou sistemas sem agulha com ports autoselantes, reduzem o risco de acidentes.

Durante qualquer etapa do procedimento de coleta poderá ocorrer acidente, mas, via de regra ocorrem somente quando os trabalhadores tentam fazer várias coisas ao mesmo tempo e, especialmente, quando da desmontagem ou da eliminação de agulhas. Portanto, as condições de trabalho que possam contribuir para um aumento no número de ferimentos com seringas, incluem:

  • Redução de pessoal, onde os profissionais assumem funções adicionais;
  • Situações difíceis nos cuidados com o paciente;
  • Iluminação do local de trabalho reduzida;
  • Experiências do profissional, quando os funcionários novos tendem a sofrer mais lesões com agulhas do que funcionários mais experientes;
  • O reencapar da agulha pode representar de 25 a 30 por cento de todos os ferimentos com seringas de enfermagem e pessoal de laboratório. Muitas vezes, é a causa mais comum.

Ainda que a prevenção de exposição ao sangue seja considerada uma medida primária para prevenção da infecção ocupacional pelo HIV, o apropriado manuseio da pós-exposição é um elemento importante na promoção da segurança do ambiente de trabalho, pois este diminui o risco de soroconversão.

O Laboratório deve ter um programa para reportar incidentes, isto é, injúrias, acidentes e doenças ocupacionais, assim com perigos potenciais. A documentação do incidente deverá ser feita detalhadamente, com descrição do mesmo, a causa provável, recomendações para prevenir incidentes similares, e ações para que haja adesão às normas estabelecidas pelos profissionais.

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10/13/2016 2:09:25 PM

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